sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cia Pessoal do Faroeste inaugura nova sede na Rua do Triunfo


Espetáculo Cine Camaleão – A Boca do Lixo continua com temporada até fim de março, mas agora na rua onde a história da peça é ambientada

“Eu quero ser a musa da boca, da nova fase da boca”, anuncia Wanda Scarlatti, personagem da atriz Mel Lisboa, numa das primeiras cenas do espetáculo Cine Camaleão – A Boca do Lixo, da Cia Pessoal do Faroeste, que estreou em outubro de 2011 e segue em temporada com indicação a vários prêmios. A fala parece mais um presságio: o grupo de teatro está de mudança confirmada para a Rua do Triunfo, no coração do lugar que já foi considerado a Hollywood Brasileira, a Boca do Lixo. Com esse projeto, a Cia começou a enveredar também pelo cinema. Já surgiram conversas com o rei da porno-chanchada, David Cardoso. Seria esta uma nova fase da Boca?

Tudo começou quando o diretor Paulo Faria recebeu o comunicado do proprietário do atual espaço ocupado pelo grupo, na Alameda Cleveland, de que teria que entregar o prédio pois este entraria em reforma. Faria começou uma busca de uma nova sede pela mesma região e se deparou com uma casa antiga, totalmente revitalizada, na rua do Triunfo, pronta para ser ocupada. A casa tem praticamente o dobro do tamanho da atual sede e vai possibilitar aumentar a lotação do espetáculo, de 40 para 100 lugares por sessão. O que será ótimo, pois numa das sessões 20 pessoas tiveram que voltar para casa porque já não cabia mais ninguém.

Paulo Faria não acredita em coincidências. Ele comenta que não encontrou a nova casa por mero acaso. “Antes de chegarmos até esta montagem, entramos na história da Boca, conhecemos suas ruas, conversamos com os profissionais da época, inclusive trouxemos alguns deles para trabalhar conosco, como o José Roberto Índio, que nos auxiliou nos efeitos especiais, o F. E. Kokocth, que nos auxiliou no figurino. Estamos resgatando a história da região e fomos presenteados com esse achado”, diz. Detalhe: a entrega das chaves será feita no dia em que a Cia completa 14 anos de atividade.

Triunfo
Cine Camaleão – A Boca do Lixo, da Cia Pessoal do Faroeste, realmente começou o ano de 2012 com o pé direito. Já no primeiro fim de semana do ano, a reestréia do espetáculo na Sede Luz do Faroeste teve casa lotada. Muito se deve ao boca a boca desde o início da temporada em outubro de 2011 e agora às indicações aos prêmios Shell, Cooperativa Paulista de Teatro e Governador do Estado, este último da Secretaria de Cultura.

A aprovação do público é tão grande que há quem já tenha visto o espetáculo 15 vezes, como o musicista Eduardo Albertino. “Fico inspirado para tocar piano sempre que venho assistir a peça. Ela tão rica, tão cheia de detalhes”, diz completando que a companhia ainda oferece oportunidade do público pagar quanto puder. “Isso é raro. É bom ver que grupos de teatro como a Cia Pessoal do Faroeste estimulam a formação de platéia”, destaca.

Esta é a quarta edição que o Pessoal do Faroeste é contemplado pelo Edital da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo para contar a historia da região da Luz na capital.

Cine-teatro
O espetáculo é uma experiência cine-teatral. Para a montagem, a companhia filmou o Faroeste na Rua Apa, com próprio elenco da peça, que retrata o crime do Castelinho da Rua Apa, um dos maiores mistérios de São Paulo. Toda a estética do filme foi feita baseada na Boca do Lixo, período em que é contada a história. E assim, a Cia mergulha na região do centro da cidade que já foi considerado como a Hollywood Brasileira entre os anos de 60 e 80 - reduto que deu ao país filmes com O Pagador de Promessas, A Margem, os Faroestes Feijoada e as Pornochanchadas. O Público paga quanto puder para assistir ao espetáculo.

A peça se passa na década de 70, momento de crise da produção cinematográfica brasileira. Com 14 anos de existência, 11 anos dedicados a estudos sobre o Centro da Cidade, temática de suas peças. E a Boca do Lixo (uma quadra entre a rua Vitória e a rua Triunfo, na Luz, onde se concentraram todas as grandes produtoras de cinema da época) e o misterioso tiroteio no Castelinho da rua Apa (até hoje sem respostas) são o ponto de partida de Cine Camaleão.

Mel Lisboa empresta sua sensualidade a esta produção que fala do cinema marginal paulista. Ela vive Wanda Scarlatti, uma cantora POP em 1978 – uma espécie de Cher brasileira –, ambiciosa, deseja ser a primeira mulher a fazer cena de sexo explicito no Brasil, e contrata a decadente Cine Camaleão para a parceria. Roberto Leite vive Tony Reis, um dos grandes cineastas de Faroeste Feijoada da era decadente da Boca. Beto Magnani vive seu irmão, Max Reis, um ator com formação no teatro-circo, conceituado no cinema e TV que enfrenta o vício do álcool e das drogas. Juliana Fagundes é Vera Selma, esposa de Tony Reis, uma atriz que deseja ter seu sucesso de volta. Lorenna Mesquita vive uma bela garota indígena, Indianara, que chega à Boca e sonha ser atriz de cinema e TV; Thais Aguiar vive Penélope, atriz e delegada americana do Dops, que investiga o possível envolvimento da Cine Camaleão com um terrorista que fora seu amante.

O dramaturgo paraense radicado na Capital há mais de 20 anos Paulo Faria – Premio Nacional de Dramaturgia por Mulher Macaco Plínio Marcos/2000, Premio CocaCola por Um Certo Faroeste Caboclo, 1999, indicado ao Shell e CPT em 2009 pelo texto de Meio Dia do Fim, – assina a dramaturgia e direção da peça.

Antes de ensaiar o espetáculo, o elenco filmou O Faroeste da Rua APA, e em cena da peça, conta-se a história da Produtora de Entretimentos Cinematográficos Cine Camaleão que acabara de filmar seu longa O Faroeste da Rua Apa, ambientado em 1978, ano da produção do filme. Durante a historia em cena os atores assistem os 20 minutos finais daquela produção, esperando a tal cena de sexo.

Para produzir o filme e a peça o Pessoal do Faroeste foi a Boca do Lixo e trouxe José Roberto Índio, um dos grandes artistas da Boca premiado em efeitos especiais e E. F. KoKotch, também premiado diretor de arte da Boca, ambos ficaram marcados por um tipo comum na Boca, o tipo indígena que também fazia efeitos especiais para os longas, personagem inspirador de Indianara de Cine Camaleão.

O espetáculo ficará em cartaz até fim de março de 2012 - uma das poucas produções que resgata as longas temporadas - na Sede Luz do Faroeste, a 100 metros do Sesc Bom Retiro. A Companhia promove conversas e palestras intituladas Bate Boca com grandes nomes da Boca, como David Cardoso, Guilherme de Almeida Prado, Máximo Barros e outros.

O inédito Cine Camaleão – A Boca do Lixo tem como proposta de dramaturgia associar a investigação teatral da Cia. à história do popular gênero cinematográfico, ocorrido no centro de São Paulo com recorte entre os anos de 1960, estendendo-se a 1980, quando a região ficou conhecida como Quadrilátero do Pecado.

Boca do Lixo é a designação pejorativa para a região central da capital paulista localizada entre os bairros Luz e Bom Retiro. Tudo começou na década de 1920, quando as salas de cinema, distribuidoras, fábricas e lojas de equipamentos começaram a florescer na região. Produtoras de cinema como a Paramount, a Fox e a MGM se instalaram por lá. Décadas mais tarde, a área se tornou o maior reduto do cinema do país.

Teria sido Oswaldo Massaini, com sua Cinedistri, o primeiro a instalar-se, em 1949. Nos anos 1960, conseguiu seu grande feito, a nossa única Palma de Ouro em Cannes, com O Pagador de Promessas. A partir daí, as produções começaram a florescer. Na década de 1970, a produção intensificou o teor sexual e entrou no período que ficou conhecido como a fase da pornochanchada, ainda que de pornográfico nada tivesse. Era um cinema popular que falava diretamente ao público brasileiro.

O próprio público que frequentava a região compunha o cenário dessa produção: vigaristas, bancários, homossexuais, policiais, jornalistas, prostitutas, traficantes, malandros... Este ambiente também atraiu a comunidade artística que se abrigou em ruas como a do Triunfo, Aurora e Vitória. A convivência era pacífica.

Nos anos 1980, houve o boom dos filmes de sexo explícito e alguns resquícios de bons filmes. Aos poucos, as produtoras começaram a fechar e sair do centro. E assim teve início o abandono da região, que culminou na Cracolândia dos anos 90 e dos dias de hoje, transformando-se em uma das regiões mais degradadas da cidade. Hoje, a região abriga prostituição, consumo de drogas e comércio de eletrônicos. Ao lado de lugares sofisticados como a Sala São Paulo.


Cine Camaleão – A boca do lixo
Temporada de 15 de outubro de 2011 a 25 de março de 2012
Todos os sábados às 19h e 21h e domingos às 19h
Duração: 75 minutos
Ingressos: Pague Quanto Puder (Quem chega uma hora antes define quanto quer pagar depois de ter visto a peça)
Antecipados ou reserva por R$ 30 (quem ligar antes para reservar lugar perde a vantagem do pague quanto puder)
Local: Sede Luz do Faroeste
Alameda Cleveland, 677 - Campos Elíseos – 3362-8883
40 lugares


Ficha Técnica

Direção Geral e Dramaturgia: Paulo Faria

Elenco: Beto Magnani, Juliana Fagundes, Lorenna Mesquita, Mel Lisboa, Roberto Leite e Thais Aguiar

Assistente de direção: Higor Vasconcelos e Robson Teuri

Direção de arte: Paulo Faria
Cenário e Figurino: F. E. Kokocht e Paulo Faria

Visagismo: Salão C. Kamura
Maquiadores: Márcio Granado e Natália Alves

Iluminação: Dário José, Paulo Faria e Tomate Saraiva

Direção de Vídeo: Dário José e Sérgio “Pizza” Gambier

Canção original: Eliseu Paranhos
Trilha: Felipe Roseno (filme) e Pessoal do Faroeste (jingle, vinhetas, paisagens sonoros – criadas com elenco em sala de ensaio sob regência de Denise Venturini)

Consultoria som\áudio: Paulo Gianini

Criação da logo Cine-Camaleão: Luiz Pinto
Designer gráfico: Thiago Mancuzo
Finalização: Franco Zampezzi
Palpiteiros: Pessoal do Faroeste

Preparação Vocal: Denise Venturini
Preparação Percussiva: Jorge Peña
Preparação Física: Érika Moura
Preparação de Sapateado e coreografia de sapateado: Bruno Vieira
Produção Executiva: Higor Vasconcelos
Produção Técnica: Robson Teuri
Produção de Comunicação: Lorenna Mesquita
Direção de Produção: Paulo Faria

Direção de Palco: Sandro Alves
Costureiros: F. E. Kokocht, Juliana Miyuki
Cenotécnicos: Robson Teuri e Higor Vasconcelos

Fotos da peça: Lenise Pinheiro
Fotos do filme: Dário José e Sergio Pizza
Fotos do processo: Rodrigo Reis

Consultoria Histórica: Rose Silveira
Cosultoria Astrológica: Claudia Lisboa
Consultoria Jurídica (julgamento simbólico Preto Amaral): Dra. Luciana Zaffalon Leme Cardoso (Defensoria Pública do Estado)

Patrocínio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura de São Paulo


Sobre a Cia. Pessoal do Faroeste

Fundada há 14 anos, Pessoal do Faroeste é uma companhia de teatro que há 10 anos se dedica à pesquisa sobre o entorno da Estação da Luz - na região central de São Paulo - focada na vida social e política do povo brasileiro por meio de seu imaginário popular e de sua cultura. O grupo já obteve vários prêmios: Um Certo Faroeste Caboclo - Prêmio Teatro Jovem Coca-Cola e Prêmio Funarte na Cidade, A Mulher Macaco - Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia Plínio Marcos, Trilogia Degenerada - Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro, entre outros.

No dia 21 de março de 2012, haverá um julgamento de Antonio Augusto do Amaral, no Salão Nobre da Defensoria Publica. O Preto Amaral personagem titulo da peça Os Crimes de Preto Amaral, que a Cia montou em 2006 e que faz parte do projeto Trilogia Degenerada. Desde este período a Cia move um abaixo assinado para a remoção do busto do Amaral, por não ter sido julgado e ter sido morto sob tortura. Todo este material virará um documentário.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cia Pessoal do Faroeste recebe indicação a vários prêmios pelo espetáculo Cine Camaleão – A Boca do Lixo em Såo Paulo

Prêmio Shell: Melhor Autor, Melhor Cenário e Melhor Figurino; Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro: Melhor Texto, Melhor Elenco e Melhor Projeto Visual; e Prêmio Governador do Estado: Melhor Espetáculo.

Cine Camaleão – A Boca do Lixo, da Cia Pessoal do Faroeste, começou o ano de 2012 com o pé direito. Já no primeiro fim de semana do ano, a reestréia do espetáculo na Sede Luz do Faroeste teve casa lotada. Muito se deve ao boca a boca desde o início da temporada em outubro de 2011 e agora às indicações aos prêmios Shell, Cooperativa Paulista de Teatro e Governador do Estado, este último da Secretaria de Cultura.

A aprovação do público é tão grande que há quem já tenha visto o espetáculo 15 vezes, como o musicista Eduardo Albertino. “Fico inspirado para tocar piano sempre que venho assistir a peça. Ela tão rica, tão cheia de detalhes”, diz completando que a companhia ainda oferece oportunidade do público pagar quanto puder. “Isso é raro. É bom ver que grupos de teatro como a Cia Pessoal do Faroeste estimulam a formação de platéia”, destaca.

Esta é a quarta edição que o Pessoal do Faroeste é contemplado pelo Edital da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo para contar a historia da região da Luz na capital. O espetáculo é uma experiência cine-teatral. Para a montagem, a companhia filmou o Faroeste na Rua Apa, com próprio elenco da peça, que retrata o crime do Castelinho da Rua Apa, um dos maiores mistérios de São Paulo. Toda a estética do filme foi feita baseada na Boca do Lixo, período em que é contada a história. E assim, a Cia mergulha na região do centro da cidade que já foi considerado como a Hollywood Brasileira entre os anos de 60 e 80 - reduto que deu ao país filmes com O Pagador de Promessas, A Margem, os Faroestes Feijoada e as Pornochanchadas. O Público paga quanto puder para assistir ao espetáculo.

A peça se passa na década de 70, momento de crise da produção cinematográfica brasileira. Com 13 anos de existência, 10 anos dedicados a estudos sobre o Centro da Cidade, temática de suas peças. E a Boca do Lixo (uma quadra entre a rua Vitória e a rua Triunfo, na Luz, onde se concentraram todas as grandes produtoras de cinema da época) e o misterioso tiroteio no Castelinho da rua Apa (até hoje sem respostas) são o ponto de partida de Cine Camaleão.

Mel Lisboa empresta sua sensualidade a esta produção que fala do cinema marginal paulista. Ela vive Wanda Scarlatti, uma cantora POP em 1978 – uma espécie de Cher brasileira –, ambiciosa, deseja ser a primeira mulher a fazer cena de sexo explicito no Brasil, e contrata a decadente Cine Camaleão para a parceria. Roberto Leite vive Tony Reis, um dos grandes cineastas de Faroeste Feijoada da era decadente da Boca. Beto Magnani vive seu irmão, Max Reis, um ator com formação no teatro-circo, conceituado no cinema e TV que enfrenta o vício do álcool e das drogas. Juliana Fagundes é Vera Selma, esposa de Tony Reis, uma atriz que deseja ter seu sucesso de volta. Lorenna Mesquita vive uma bela garota indígena, Indianara, que chega à Boca e sonha ser atriz de cinema e TV; Thais Aguiar vive Penélope, atriz e delegada americana do Dops, que investiga o possível envolvimento da Cine Camaleão com um terrorista que fora seu amante.

O dramaturgo paraense radicado na Capital há mais de 20 anos Paulo Faria –Premio Nacional de Dramaturgia por Mulher Macaco Plínio Marcos/2000, Premio CocaCola por Um Certo Faroeste Caboclo, 1999, indicado ao Shell e CPT em 2009 pelo texto de Meio Dia do Fim, – assina a dramaturgia e direção da peça.

Antes de ensaiar a peça a trupe filmou O Faroeste da Rua APA, e em cena da peça, conta-se a história da Produtora de Entretimentos Cinematográficos Cine Camaleão que acabara de filmar seu longa O Faroeste da Rua Apa, ambientado em 1978, ano da produção do filme. Durante a historia em cena os atores assistem os 20 minutos finais daquela produção, esperando a tal cena de sexo.

Para produzir o filme e a peça o Pessoal do Faroeste foi a Boca do Lixo e trouxe José Roberto Índio, um dos grandes artistas da Boca premiado em efeitos especiais e E. F. KoKotch, também premiado diretor de arte da Boca, ambos ficaram marcados por um tipo comum na Boca, o tipo indígena que também fazia efeitos especiais para os longas, personagem inspirador de Indianara de Cine Camaleão.

O espetáculo ficará em cartaz até fim de março de 2012 - uma das poucas produções que resgata as longas temporadas - na Sede Luz do Faroeste, a 100 metros do Sesc Bom Retiro. A Companhia promove conversas e palestras intituladas Bate Boca com grandes nomes da Boca, como David Cardoso, Guilherme de Almeida Prado, Máximo Barros e outros.

O inédito Cine Camaleão – A Boca do Lixo tem como proposta de dramaturgia associar a investigação teatral da Cia. à história do popular gênero cinematográfico, ocorrido no centro de São Paulo com recorte entre os anos de 1960, estendendo-se a 1980, quando a região ficou conhecida como Quadrilátero do Pecado.

Boca do Lixo é a designação pejorativa para a região central da capital paulista localizada entre os bairros Luz e Bom Retiro. Tudo começou na década de 1920, quando as salas de cinema, distribuidoras, fábricas e lojas de equipamentos começaram a florescer na região. Produtoras de cinema como a Paramount, a Fox e a MGM se instalaram por lá. Décadas mais tarde, a área se tornou o maior reduto do cinema do país.

Teria sido Oswaldo Massaini, com sua Cinedistri, o primeiro a instalar-se, em 1949. Nos anos 1960, conseguiu seu grande feito, a nossa única Palma de Ouro em Cannes, com O Pagador de Promessas. A partir daí, as produções começaram a florescer. Na década de 1970, a produção intensificou o teor sexual e entrou no período que ficou conhecido como a fase da pornochanchada, ainda que de pornográfico nada tivesse. Era um cinema popular que falava diretamente ao público brasileiro.

O próprio público que frequentava a região compunha o cenário dessa produção: vigaristas, bancários, homossexuais, policiais, jornalistas, prostitutas, traficantes, malandros... Este ambiente também atraiu a comunidade artística que se abrigou em ruas como a do Triunfo, Aurora e Vitória. A convivência era pacífica.

Nos anos 1980, houve o boom dos filmes de sexo explícito e alguns resquícios de bons filmes. Aos poucos, as produtoras começaram a fechar e sair do centro. E assim teve início o abandono da região, que culminou na Cracolândia dos anos 90 e dos dias de hoje, transformando-se em uma das regiões mais degradadas da cidade. Hoje, a região abriga prostituição, consumo de drogas e comércio de eletrônicos. Ao lado de lugares sofisticados como a Sala São Paulo.


Cine Camaleão – A boca do lixo
Temporada de 15 de outubro de 2011 a 25 de março de 2012
Todos os sábados às 19h e 21h e domingos às 19h
Duração: 85 minutos
Ingressos: Pague Quanto Puder (Quem chega uma hora antes define quanto quer pagar depois de ter visto a peça)
Antecipados ou reserva por R$ 30 (quem ligar antes para reservar lugar perde a vantagem do pague quanto puder)
Local: Sede Luz do Faroeste
Alameda Cleveland, 677 - Campos Elíseos – 3362-8883
40 lugares


Ficha Técnica

Direção Geral e Dramaturgia: Paulo Faria

Elenco: Beto Magnani, Juliana Fagundes, Lorenna Mesquita, Mel Lisboa, Roberto Leite e Thais Aguiar

Assistente de direção: Higor Vasconcelos e Robson Teuri

Direção de arte: Paulo Faria
Cenário e Figurino: F. E. Kokocht e Paulo Faria

Visagismo: Salão C. Kamura
Maquiadores: Márcio Granado e Natália Alves

Iluminação: Dário José, Paulo Faria e Tomate Saraiva

Direção de Vídeo: Dário José e Sérgio “Pizza” Gambier

Canção original: Eliseu Paranhos
Trilha: Felipe Roseno (filme) e Pessoal do Faroeste (jingle, vinhetas, paisagens sonoros – criadas com elenco em sala de ensaio sob regência de Denise Venturini)

Consultoria som\áudio: Paulo Gianini

Criação da logo Cine-Camaleão: Luiz Pinto
Designer gráfico: Thiago Mancuzo
Finalização: Franco Zampezzi
Palpiteiros: Pessoal do Faroeste

Preparação Vocal: Denise Venturini
Preparação Percussiva: Jorge Peña
Preparação Física: Érika Moura
Preparação de Sapateado e coreografia de sapateado: Bruno Vieira
Produção Executiva: Higor Vasconcelos
Produção Técnica: Robson Teuri
Produção de Comunicação: Lorenna Mesquita
Direção de Produção: Paulo Faria

Direção de Palco: Sandro Alves
Costureiros: F. E. Kokocht, Juliana Miyuki
Cenotécnicos: Robson Teuri e Higor Vasconcelos

Fotos da peça: Lenise Pinheiro
Fotos do filme: Dário José e Sergio Pizza
Fotos do processo: Rodrigo Reis

Consultoria Histórica: Rose Silveira
Cosultoria Astrológica: Claudia Lisboa
Consultoria Jurídica (julgamento simbólico Preto Amaral): Dra. Luciana Zaffalon Leme Cardoso (Defensoria Pública do Estado)

Patrocínio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura de São Paulo


Sobre a Cia. Pessoal do Faroeste

Fundada há 14 anos, Pessoal do Faroeste é uma companhia de teatro que há 10 anos se dedica à pesquisa sobre o entorno da Estação da Luz - na região central de São Paulo - focada na vida social e política do povo brasileiro por meio de seu imaginário popular e de sua cultura. O grupo já obteve vários prêmios: Um Certo Faroeste Caboclo - Prêmio Teatro Jovem Coca-Cola e Prêmio Funarte na Cidade, A Mulher Macaco - Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia Plínio Marcos, Trilogia Degenerada - Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro, entre outros.

No dia 21 de março de 2012, haverá um julgamento de Antonio Augusto do Amaral, no Salão Nobre da Defensoria Publica. O Preto Amaral personagem titulo da peça Os Crimes de Preto Amaral, que a Cia montou em 2006 e que faz parte do projeto Trilogia Degenerada. Desde este período a Cia move um abaixo assinado para a remoção do busto do Amaral, por não ter sido julgado e ter sido morto sob tortura. Todo este material virará um documentário.



LOCAL: SEDE LUZ DO FAROESTE
Alameda Cleveland, 677 - Campos Elíseos – 3362-8883
pessoaldofaroeste.blogspot.com
www.pessoaldofaroeste.com.br


Informações para a Imprensa:
Lorenna Mesquita
(11) 8558.8485
imprensa@pessoaldofaroeste.com.br
produção@pessoaldofaroeste.com.br
pessoaldofaroeste@gmail.com

domingo, 11 de dezembro de 2011

texto do jornalista Lúcio Flávio Pinto sobre a ameaça que sofreu em Belém

À OPINIÃO PÚBLICA

Os valores morais estão mesmo invertidos no Brasil.
Ontem, um cidadão que emitiu notas fiscais frias para dar cobertura a uma fraude, praticada pelos donos do principal grupo de comunicação da Amazônia, O Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão, através da qual tiveram acesso a dinheiro público da Sudam, me ameaçou de agressão e tentou me intimidar.
Meu “crime” foi o de ter denunciado a fraude em meu Jornal Pessoal, que se transformou em denúncia do Ministério Público Federal, aceita pela justiça federal, mas arquivada em 1º grau sob a alegação de que o crime prescreveu. O juiz responsável pela sentença, Antônio de Almeida Campelo, titular da 4ª vara criminal federal de Belém, tentou me impor sua censura, para que não pudesse mais escrever a respeito do processo. Como a ordem era ilegal, não a acatei. Cinco dias depois, diante da reação pública, o juiz voltou atrás e revogou a sua determinação. Mas o incidente de hoje mostra que as tentativas de me intimidar prosseguirão.
Eu saía do almoço em um restaurante no centro de Belém, às 15,15, quando um cidadão se aproximou de mim subitamente. Ele parecia ter esperado o momento em que fiquei só no caixa.. Como se postou bem ao meu lado, o cumprimentei, mesmo sem identificá-lo de imediato. Ele reagiu de forma agressiva. Como minha saudação tinha sido um “Tudo bem?”, ele respondeu: “Vai ver o que fizeste contra mim no teu jornal”.
“O quê?”, disse eu. Ele se tornou mais agressivo ainda: “Da próxima vez eu vou te bater, tu vais ver”. Aí me dei contra de tratar-se de Rodrigo Chaves, dono da empresa, a Progec, que cedera as notas fiscais frias para os irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos do projeto para implantar em Belém uma indústria de sucos regionais, no valor (atualizado) de sete milhões de reais, projeto esse aprovado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, em 1995.
Observei que o cidadão estava com um copo de vidro cheio de refrigerante e que o apertava com força. Deixando o salão do restaurante com o copo, tornava-se evidente que, com seu tom agressivo, planejava usá-lo contra mim. Mantive-me calmo, sem reagir. Paguei e saía, quando ele começou a gritar, me chamando de palhaço. Continuei seguindo e fui até a seccional da polícia civil, onde apresentei queixa contra a ameaça de agressão física. O procedimento deverá ser instaurado amanhã.
A primeira reportagem do Jornal Pessoal sobre a fraude praticada pelos irmãos Maiorana saiu em maio de 2002, na edição 283. Desde então, venho acompanhando o assunto. Nunca fui contestado pelos Maiorana, nem por Rodrigo Chaves. Ao ser intimado a comparecer à Receita Federal, ele admitiu serem frias as nove notas fiscais e dois recibos que emitiu entre 1996 e 1997 para a Indústria Tropical Alimentícia. Com esses papéis, a empresa justiçou a construção de um galpão, onde funcionaria a fábrica de sucos. A estrutura teria sido posta abaixo por um vendaval, que teria ocorrido na área, mas atingiu apenas a construção dos irmãos Maiorana.
Com base em vasta documentação, comprovando a fraude com as notas e o desvio de recursos públicos, a Receita Federal encaminhou o inquérito ao Ministério Público Federal, em 2000. O MPF fez a denúncia em 2008, enquadrando os Maiorana em crime contra o sistema financeiro nacional (mais conhecido como crime de colarinho branco). Nessa época, a fraude de 1995 já havia prescrito. Por isso, o crime não podia mais ser punido. Restavam as manobras que permitiram aos Maiorana receber colaboração financeira dos incentivos fiscais da Sudam em 1996 e 1997.
No total, em valor da época, os irmãos tiveram acesso a R$ 3,3 milhões. O projeto, ao final, absorveria R$$ 20 milhões de então. Para receber o dinheiro, eles tinham que entrar com 50% de capital próprio. Mas não tiraram um centavo do bolso. No dia da liberação do recurso pela Sudam, eles emprestavam de um banco privado o valor equivalente, que devia ser a contrapartida de recursos próprios, mas só o mantinham em conta por um dia. No dia seguinte o dinheiro era devolvido ao banco.
O MPF só fez a denúncia pelo crime de fraude pára a obtenção de dinheiro público. Não imputou aos Maiorana o outro delito, o de desvio de recursos públicos, caracterizado pela fraude na construção do galpão que o inusitado vendaval teria destruído. A prova da construção eram as notas fiscais fornecidas pelo cidadão que me ameaçou de agressão física hoje.
A ameaça foi perpetrada num dia histórico para o Pará, a primeira unidade da federação brasileira a decidir, pelo voto direto e universal dos seus cidadãos, se aceita ou não a divisão do seu território, o 2º maior do país, para a criação de dois novos Estados, de Carajás e Tapajós. O próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o também ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowsi, veio testemunhar pessoalmente esse momento histórico. Foi a primeira vez que um presidente do TSE participou de uma sessão do TRE do Pará. Mas não chegou a testemunhar um ato representativo de como age e pensa parte da elite paraense que monopoliza o poder na capital e, pensando só em si, dá motivos às regiões mais distantes de tentar se separar do Estado para conseguir maior atenção e cuidados, numa terra marcada pela desigualdade social, violência e a impunidade. E onde ficou famosa a frase de um caudilho: de que, por aqui, “lei é potoca”.
O grupo de comunicação dos irmãos Maiorana tomou parte na campanha, dizendo-se intérprete da vontade da população. Já publicou dezenas de editoriais contra o ex-senador Jader Barbalho, acusando-o de ter enriquecido apropriando-se de dinheiro público, com destaque para o dinheiro da Sudam, que teria desviado para os próprios bolsos. Mas os Maiorana, que cometeram o mesmo crime, não querem que ninguém escreva sobre seus atos. Um deles, Ronaldo Maiorana, beneficiário das notas frias do meu quase agressor de hoje, me agrediu fisicamente quase sete anos atrás, em janeiro de 2005, tendo a cobertura de dois militares da ativa da PM paraense, que transformou em seus capangas.
Por ironia, essa agressão se consumou em outros dos restaurantes da rede Pomme d’Or, onde agora fui ameaçado por um integrante da confraria dos Maiorana. Por outra ironia, tive que ir de novo à mesma seccional onde dei a primeira queixa. As agressões, ameaças e intimidações prosseguirão? O poder público fará a sua parte, de fazer respeitar a lei e dar garantias ao cidadão do exercício de seus direitos?
Aguardo as respostas, que cobro como um simples cidadão, às vezes sozinho, mas convicto do seu direito. E da obrigação que sua profissão lhe impõe: dizer a verdade. Mesmo que ela incomode poderosos e truculentos.

LÚCIO FLÁVIO PINTO
Editor do Jornal Pessoal
Belém/PA 11/12/2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pessoal do Faroeste faz julgamento simbólico de Preto Amaral na Defensoria Pública


Projeto inédito pretende dar oportunidade de defesa póstuma daquele que foi considerado o primeiro assassino em série do Brasil

No próximo dia 15, quinta, às 9h, no auditório da Defensoria Pública do Estado, a Cia de Teatro Pessoal do Faroeste promove a leitura dramática do texto Os Crimes do Preto Amaral, do dramaturgo e diretor Paulo Faria – montada em 2006. O evento contará com a participação do elenco do espetáculo Cine Camaleão – A Boca do Lixo, do mesmo grupo: Mel Lisboa, Beto Magnani, Juliana Fagundes, Lorenna Mesquita, Roberto Leite, Thais Aguiar, Higor Vasconcelos e participação especial de: Neusa Borges, Daniel Alvim, Bri Fiocca e Rogério Brito – atores de outras montagens.

A leitura é a introdução para o julgamento público simbólico de José Augusto do Amaral, conhecido como o Preto Amaral, considerado o primeiro assassino em série do Brasil. O julgamento acontecerá no dia 21 de março de 2012 também na Defensoria Pública, no Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial, declarado pela ONU.

Preto Amaral
José Augusto do Amaral, o Preto Amaral, foi acusado em 1927, por médicos e advogados, como autor dos crimes hediondos que levaram à morte três adolescentes do sexo masculino, com características de sadismo e necrofilia. A história do “criminoso” foi resgatada pelo Doutor em História, Paulo Fernando de Souza Campos. O núcleo central de seu estudo, propõe uma reflexão em torno das representações da degeneração da raça no início do sec. XX, em específico as produzidas pela pesquisa forense.

Abordando uma série de crimes ocorridos na passagem de 1926 para 1927, o estudo investiga como as imagens decorrentes das representações dos eventos trágicos que marcaram a vida de um homem comum, negro, filho de escravos e nascido livre, incidem negativamente sobre os pobres e despossuídos no processo de integração na sociedade de classes, estereotipando-os como indivíduos violentos, criminosos e inferiores na escala da “evolução humana”.

A documentação utilizada na pesquisa recuperou laudos médicos, perícias policiais, depoimentos, fotografias, artigos publicados na imprensa e revistas especializadas da época sobre os crimes impetrados a Amaral. Possibilitando analisar as relações de poder, as estratégias e a dominação nas quais os discursos se estabelecem. Os resultados demonstraram que os efeitos de real atribuídos às representações de degenerância pretenderam legitimar a exclusão dos negros, impondo-lhes uma tara hereditária que o desclassificam. A tese defende, ainda, a idéia de que a persistência da identificação do negro como criminoso, sedioso e vagabundo vincula-se às características especificas das relações de poder no Brasil.

Panorama da Época
Os crimes aconteceram na periferia da cidade de São Paulo do início do sec. XX. Devido ao precário saneamento, bairros pobres e populosos, eram locais de moradia de trabalhadores operários e de despossuídos. Os perigos constantes das doenças contagiosas, preocupavam os administradores da cidade, ao mesmo tempo, produziam um certo desprezo por parte das elites paulistanas, que viam no mundo hostil em que viviam os pobres as formas de contágio e proliferação dos miasmas, formando uma barreira nas relações sociais entre ricos e pobres, brancos e negros.

Não é por mero acaso que instituições com caráter e finalidades diversas tenham sido criadas, em São Paulo, com o objetivo de cada qual na sua área, estudar, conhecer, identificar e propor soluções às questões urbanas justamente no momento em que a sociedade paulista deparava-se com o acelerado crescimento urbano-industrial, com a agudização de conflitos sociais e com setores desta sociedade expressando desejos de construir uma nova ordem nacional e um perfil do trabalhador. O combate a essa fatia da sociedade se dá através da esterilização dos degenerados e criminosos, constitui uma das medidas complementares da política eugênica, impedindo paternidade indigna, a procriação de cacopáticos e desgraçados. Essa é a idéia vigente do grupo presente ao casamento de Orfeu e Eurídice, personagem de Os Crimes de Preto Amaral.


Os Crimes do Preto Amaral

A partir desse pano de fundo histórico, é construída a trama de Os Crimes de Preto Amaral, que tem seu enredo inspirado no mito de Orfeu e Eurídice. O que interessa buscar neste mito é o essencial que nos faz ir até o fundo das coisas e de nós mesmos, como Orfeu que desceu à morte para buscar sua amada Eurídice. E de como Eurídice ao pisar na serpente – na psicanálise, encarna a psique inferior, o psiquismo obscuro, o que é raro, incompreensível, misterioso –, mergulha na morte, na transformação, na mudança, no renascimento.

O Mito: Orfeu e Eurídice na década de 20
O texto de Os Crimes do Preto Amaral é baseado na história do mito grego de Orfeu (apaixonado pela ninfa Eurídice, Orfeu vai até o inferno para buscá-la, após sua amada morrer picada por uma serpente). “Pode-se dizer Amaral é a serpente que pica Eurídice e a tira de Orfeu. A relação do casal, o conflito entre suas opiniões e ideais acabam se transformando no foco da trama”, explica Paulo Faria. Na peça, Preto Amaral também vira personagem da novela de suspense que o jornalista Hemineu de Carvalho escreve na redação do jornal de sua poderosa família Carvalho. Os únicos personagens históricos reais do espetáculo são Preto Amaral e as mães das vítimas de seus crimes.

O restante é inspirado em figuras que fazem parte do mito de Orfeu e personagens da história da São Paulo desse período. Transposta para a década de 20, época retratada no espetáculo, a personagem Eurídice é uma jovem advogada contrária à doutrina da eugenia (crença em que a violência é transmitida geneticamente, por isso, criminosos precisam ser esterilizados), defendida pelo clã de Dr. Apollo de Freitas, propagador da idéia da eugenia no Brasil. Dr. Apollo é pai do médico Dr. Orfeu de Freitas, e noivo de Eurídice. No dia do casamento do casal, a jovem advogada fica sabendo do caso de Preto Amaral e, indignada com o fato do homem não ter tido uma defesa e ser pré-julgado como culpado, assim que retorna da sua lua de mel, resolve assumir o caso, indo contra seu marido.


Serviço

Leitura dramática: Os Crimes do Preto Amaral
Data: 15 de dezembro de 2011
Horário: 9h
Local: Auditório da Sede da Defensoria Pública do Estado SP
Rua: Boa Vista, 200

Julgamento de José Augusto do Amaral
Data: 21 de março de 2012


Patrocínio: Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo / Secretaria Municipal de Cultura

Realização: Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e Pessoal do Faroeste, em parceria com a Escola da Defensoria Pública, Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos e Núcleo Especializado de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria Pública de São Paulo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cine Camaleão - Crítica - Veja SP

TEATRO
Sexo, mentiras e ambições em "Cine Camaleão — A Boca do Lixo"
Ousado drama traça um painel do centro da cidade nos anos 70

Dirceu Alves Jr. | 23/11/2011

Entre as décadas de 60 e 80, a região central reuniu as principais produtoras de cinema de São Paulo. Batizada de Boca do Lixo, a área compreendida entre Campos Elíseos, Bom Retiro, Luz e Santa Ifigênia conheceu o apogeu comercial com as pornochanchadas, um contraponto às fitas de ambições psicológicas e sociais realizadas por Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Arnaldo Jabor, entre outros. Inspirada nesse movimento, a Cia. Pessoal do Faroeste criou o drama “Cine Camaleão — A Boca do Lixo”, escrito e dirigido por Paulo Faria. A montagem está em cartaz na Sede Luz do Faroeste, localizada bem nas imediações do agito daquele tempo.

Colabora para o público entrar no clima a degradação da área, onde, nos últimos meses, foram inaugurados o Sesc Bom Retiro e o Teatro Grande Otelo, no Liceu Coração de Jesus. Os quarenta espectadores (que devem reservar os ingressos por telefone) são acomodados em cadeiras lado a lado, valorizando a cenografia assinada por F.E. Kokocht e Faria. Mel Lisboa interpreta a cantora Wanda Scarlatti. Ela decide financiar um filme com a condição de protagonizar uma cena de sexo explícito e chama o cineasta Tony Reis (papel de Roberto Leite) para tocar a produção. Frustrado por não poder bancar trabalhos de arte e depender da pornochanchada, ele enxerga a chance de tirar proveito da situação.

O espetáculo traça um interessante painel dos anos 70 e entretém a plateia. Recheada de ironia, a aprofundada dramaturgia traz referências à vida cultural e ao cenário político da época e costura bem a metalinguagem, representada por projeções do filme que desenrola a trama. Se não surpreende, a atuação de Mel dosa sensualidade e tenta imprimir um certo sarcasmo. Para isso, a atriz conta com o apoio do afinado elenco, completado por Juliana Fagundes, Beto Magnani, Lorenna Mesquita e Thais Aguiar.